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PRODUÇÃO CIENTÍFICA

Fibrilação atrial e Miocardiopatia hipertrófica
Maurício Pimentel, Leandro Zimerman

A miocardiopatia hipertrófica (MCH) é um fator de risco para o desenvolvimento de fibrilação atrial (FA). A FA, tanto paroxística como crônica, é a forma de taquicardia supraventricular mais freqüente na MCH, ocorrendo em 10 a 25%. Os principais fatores associados à sua ocorrência são idade, classe funcional (NYHA), hipertrofia severa e difusa do ventrículo esquerdo, regurgitação mitral e tamanho do átrio esquerdo. Por outro lado, a presença e o grau de obstrução da via de saída não é fator de risco para presença de FA. Além da influência de alterações hemodinâmicas, existe a hipótese de haver uma mutação genética especificamente ligada à cardiomiopatia que culminaria com a miopatia atrial intrínseca que, combinada com a fragmentação da atividade elétrica atrial e retardo da condução intra-atrial do impulso, levaria à FA.



De forma prospectiva, o valor prognóstico da FA foi avaliado em duas coortes americana e italiana, com 107 pacientes com MCH. A incidência de acidente vascular encefálico foi oito vezes maior no grupo de pacientes com FA, independentemente se crônica ou paroxística. FA foi associada à piora da classe funcional e a um aumento significativo da mortalidade relacionada à MCH, principalmente quando a arritmia ocorre antes dos 50 anos e em pacientes com obstrução na via de saída do ventrículo esquerdo (gradiente ≥ 30 mmHg). O aumento da mortalidade ocorreu em função de mortalidade por acidente vascular encefálico e insuficiência cardíaca, não tendo havido aumento significativo na incidência de morte súbita. O desfecho combinado mortalidade, piora da classe funcional e acidente vascular encefálico teve maior incidência nos pacientes com fibrilação crônica em relação ao grupo fibrilação paroxística.


Não há estudos específicos avaliando tratamento da FA em pacientes com MCH. Pacientes que apresentam piora clínica devem ser submetidos à cardioversão química ou elétrica. Nos pacientes em que se consegue reversão para ritmo sinusal, deve-se considerar o uso de amiodarona para prevenção da recorrência de FA, embora não tenha sido testada especificamente com esse objetivo no contexto de MCH. Outras alternativas de tratamento como a ablação de veias pulmonares e a cirurgia de Maze podem ser consideradas em pacientes refratários, embora a experiência em pacientes com MCH ainda seja pequena.


Kilicaslan e colaboradores apresentaram recentemente os resultados da ablação das veias pulmonares para tratamento de 27 pacientes com MCH e FA refratários ao uso de drogas antiarrítmicas. Em seguimento médio de 341 dias, 13 (48%) pacientes apresentaram recorrência da FA. Desses, 5 se mantiveram em ritmo sinusal com drogas antiarrítmicas, 1 permaneceu com FA e 7 foram submetidos a novo procedimento de ablação. Entre esses, 5 se mantiveram em ritmo sinusal. Nessa série, 14% dos pacientes apresentaram estenose de veias pulmonares de leve a moderada. Para os pacientes que se mantêm em FA, o controle da resposta ventricular pode ser obtido com o uso de beta-bloqueadores e verapamil. Caso não se consiga o controle adequado da freqüência cardíaca, deve-se considerar a ablação da junção atrioventricular e o implante de marcapasso definitivo. Em função do aumento do risco de acidente vascular encefálico, a anticoagulação está indicada para pacientes com MCH e FA, tanto paroxística como crônica.

 

Jornal Sobrac, Jan/Mar 2007

 

 

Referências

 

1.Maron BJ. Hyperthrophic cardiomyopathy. A systematic review. JAMA 2002;287:1308-1320.
2. Arteaga E, Ianni BM, Fernandes F, Mady C. Benign outcome in a long-term follow-up of patients with hypertrophic cardiomyopathy in Brazil. Am Heart J. 2005;149:1099-105.
3. Olivotto I, Cecchi F, Casey AS, Dolara A, Traverse JH, Maron BJ. Impact of atrial fibrillation on the clinical course of hyperthrophic cardiomyopathy. Circulation 2001;104:2517-2524.
4: Maron BJ, McKenna WJ, Danielson GK et al. Task Force on Clinical Expert Consensus Documents. American College of Cardiology; Committee for Practice Guidelines. European Society of Cardiology. American College of Cardiology/European Society of Cardiology clinical expert consensus document on hyperthrophic cardiomyopathy. A report of the American College of Cardiology Foundation Task Force on Clinical Expert Consensus Documents and the European Society of Cardiology Committee for Practice Guidelines. J Am Coll Cardiol. 2003;42:1687-713. 
5. Kilicaslan F, Verma A, Saad E et al.. Efficacy of catheter ablation of atrial fibrillation in patients with hyperthrophic obstructive cardiomyopathy. Heart Rhythm. 2006;3:275-80.
     

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