Em nenhuma hipótese as orientações e dados divulgados devem substituir aquelas recomendadas individualmente pelo seu médico assistente.
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INFORMAÇÕES SOBRE O SEU CORAÇÃO

Hipertensão: o inimigo silencioso - Parte 2
Dr. Fernando Lucchese

Como tratá-la

• Como já visto, hipertensos mais leves, sem fatores de risco, como a diabetes, e sem doenças cardiocerebrovasculares associadas, são tratados sem medicamentos.
• No entanto, quando os níveis de pressão são mais altos e existem outros fatores de risco (diabetes, colesterol elevado, idade acima de 60 anos, fumo), o uso de medicamentos é necessário.
• Existem inúmeras drogas e de associação delas para o tratamento da hipertensão. Neste capítulo, vamos fazer uma revisão simplificando este assunto, aparentemente complexo.

Medicamentos anti-hipertensivos

Diuréticos Tiazídicos
(Nomes químicos mais comuns: hidroclorotiazida, clortalidona, ciclopentatiazida, indapamida, bendrofluazida)

• Agem dilatando os vasos e aumentando ligeiramente a eliminação de urina, o que reduz o volume de líquido circulante e a pressão arterial.
• São prescritos em doses baixas para obter melhor efeito e evitar o diabetes e o aumento do acido úrico (gota).
• Doses muito altas podem reduzir o potássio no sangue, a potência sexual e aumentar o colesterol.

Betabloqueadores
(Nomes químicos: atenolol, ismolol, metoprolol, nadolol, pindolol, sotalol, timolol)

• Funcionam bloqueando a ação da adrenalina e noradrenalina, os dois hormônios responsáveis pelo nosso sistema adrenérgico, que nos prepara para a fuga ou para a luta em situações de emergência. São esses hormônios que aceleram a freqüência do coração quando nos assustamos, abrem alguns vasos sanguíneos enquanto fecham outros, regulando assim o fluxo para os órgãos vitais. Também aumentam a contração do coração, fazendo subir a pressão arterial.
• Os betabloqueadores poupam o coração, baixando a freqüência dos batimentos, reduzindo a força de contração e a pressão arterial.
• Mas eles também estreitam as vias aéreas do pulmão, causando um chiado na respiração chamado “broncoespasmo”. Por isso, não podem ser usados por asmáticos.
• Podem também esfriar mãos e pés, reduzir a força muscular e interferir sobre a potência sexual.
• Porém os betabloqueadores mais recentes têm ação mais seletiva sobre o coração, com menos efeitos colaterais.
• São muito usados se há, além da hipertensão, isquemia do músculo cardíaco, com ou sem angina.

Bloqueadores do canal de cálcio
(Nomes químicos: amlodipina, diltiazem, nifedipina, verapamil, micardipina, isradipina)

• São chamados também antagonistas de cálcio.
• Agem bloqueando a ação contrátil do cálcio sobre a musculatura das arteríolas, que são os vasos responsáveis pelo aumento da pressão ao se estreitarem.
• Agem, portanto, provocando dilatação dos vasos, o que normaliza a pressão.
• O inconveniente é que há dilatação também dos vasos cerebrais (o que pode ocasionar dores de cabeça), do rosto (causando rubor e calor) e das pernas (inchaço nos tornozelos).
• A amlodipina de uso mais recente tem poucos efeitos colaterais, mas ainda provoca o inchaço dos pés.
• Apesar desses inconvenientes, os antagonistas de cálcio são bons medicamentos para prevenir ataques cardíacos e derrames cerebrais porque baixam a pressão arterial.

Inibidores da Enzima Conversora da Angiotensina (ECA)
(Nomes químicos: captopril, cizalapril, enalapril, fosinopril, lisinopril, ramipril)

• Agem impedindo a ativação do hormônio angiotensina II, que provoca a contração dos vasos sanguíneos.
• Fazem dilatação dos vasos, o que baixa a pressão arterial.
• Tem também efeito protetor sobre os rins de hipertensos e diabéticos.
• Quando o coração tem dificuldades de bombear o sangue por problemas na contração, os inibidores da ECA são de grande valia, pois dilatam os vasos e reduzem o trabalho do órgão, que passa a bombear contra resistências menores.
• O cuidado está ao se iniciar o tratamento, em controlar a pressão arterial, que pode cair muito rápido, principalmente se já se faz uso de diuréticos.
• O efeito colateral mais comum é o surgimento de uma tosse seca em 20% das mulheres e 10% dos homens, que só desaparece com a interrupção do medicamento.

Antagonistas do Receptor da Angiotensina
(Nomes químicos: losartan, irbesartan, valsartan, candersartan)

• Agem de forma semelhante aos inibidores da ECA, porém, em vez de bloquear a produção de angiotensina ll, um potente vasoconstritor, inibe sua ação, bloqueando os pontos onde ela iria atuar (receptores).
• Têm efeito mais seletivo sobre a pressão arterial e não provocam tosse.
• São muito úteis quando há doença cardíaca ou renal associada.

Alfabloqueadores
(Nomes químicos: doxazosina, terazosina, fenoxibenzamina, fentolamina, prazosina)

• Bloqueiam a ação da adrenalina sobre a musculatura dos vasos, evitando o estreitamento dos mesmos e, conseqüentemente, o aumento da pressão arterial.
• Também relaxa a bexiga, o que é muito útil para idosos com próstata aumentada.

A escolha do remédio para tratar a “sua” hipertensão

• A primeira escolha é um diurético, geralmente hidroclorotiazida.
• Outra possibilidade é usar um betabloqueador.
• Se ocorrerem crises de angina (dor no peito), recomenda-se o uso de betabloqueadores.
• Se houver diabetes já diagnosticada, a associação de um diurético e de um inibidor da enzima conversora da angiotensina (ECA) é favorável.
• Da mesma forma, se houver insuficiência cardíaca, está indicada a associação de diurético com inibidor da enzima conversora da angiotensina (ECA).
• Para hipertensão sistólica indica-se, principalmente nos idosos, diuréticos e antagonistas de cálcio.
• Em pacientes com infarto do miocárdio prévio, usam-se betabloqueadores e, se houver insuficiência cardíaca, inibidores da ECA.
• Quando há enxaqueca associada à hipertensão, usam-se betabloqueadores.
• Em pacientes com insuficiência renal, recomenda-se inibidor da ECA.
• Normalmente, um comprimido ao dia é suficiente para tratar a hipertensão de metade dos hipertensos.
• A outra metade terá que fazer uso de associação de remédios.
• Em torno de 10% necessitam três remédios ou mais em associação.
• Para facilitar, os medicamentos, em geral, podem ser tomados juntos, no mesmo horário. Fale com seu médico.
• É preferível tomar dois ou três medicamentos em doses mais baixas do que um único em altas doses.
• Há muitos antagonistas de cálcio e betabloqueadores já produzidos com dose pequena de diurético tiazídico no mesmo comprimido, o que pode facilitar o tratamento.
• Os medicamentos modernos têm duração de ação de 24 horas. O uso de drogas três vezes por dia caiu de moda pelas dificuldades naturais.
• Tome os medicamentos regularmente e não interrompa o tratamento sem falar com seu médico

Para tirar melhor proveito dos medicamentos em uso, siga as seguintes recomendações:
• Não tome remédio algum sem ordem médica.
• A receita anterior pode ser repetida se houver ordem explícita.
• Só inicie ou abandone um medicamento após falar com seu médico.
• Não tome remédios em jejum, a não ser que tenha sido essa a orientação recebida.
• Se os medicamentos lhe provocam náusea ou enjôo, em primeiro lugar procure descobrir qual deles é o responsável. Em seguida, fale com seu médico, porque, se for possível, ele o substituirá.
• Mudança de hábito alimentar ou do horário do medicamento pode melhorar a náusea.
• Faça uso de medicamento para o estômago, se seu médico estiver de acordo, para evitar gastrite, azia e úlcera.
• Procure tomar seus medicamentos no mesmo horário, para permitir que seu organismo se adapte a eles.
• Praticamente todos os remédios podem ter efeitos indesejados. Normalmente, eles estão listados na bula. Esclareça com seu médico.
• Tenha paciência com os efeitos colaterais dos remédios. Continue tomando por algum tempo mais, pois, geralmente, o organismo se adapta.
• Não leia a bula, se for do tipo que se impressiona com o que lê.
• Informe-se sobre os medicamentos que está usando. Procure saber qual a ação, os efeitos favoráveis e desfavoráveis dos mesmos.
• Informe-se sobre as interações com outros medicamentos que você toma.
• Remédios, quando bem indicados, só podem lhe fazer bem. O conceito de que podem piorar sua vida é antigo e inadequado.
• Mas respeite cada medicamento. Não seja irresponsável no seu uso.
• Mantenha toda e qualquer medicação longe do alcance das crianças.

A dieta do hipertenso

• Limitar o uso de sal ao temperar alimentos
• Reconhecer nos alimentos industrializados, embutidos e salgadinhos o excesso de sal
• Ler rótulos
• Limitar a ingestão de álcool
• Reduzir de peso quando necessário
• Reduzir as gorduras animais
• Estimular o uso de fibras, pois são alimentos saudáveis que facilitam o trânsito intestinal, reduzem o colesterol e, conseqüentemente, as complicações da hipertensão

Obesidade e Hipertensão

• Indivíduos obesos têm pressão arterial mais alta do que os magros.
• Perder peso ajuda a baixar a pressão.
• Pessoas com excesso de peso têm pressão mais alta, porque têm que queimar as calorias ingeridas em excesso e comem mais sal.
• Para cada quilo que você perde, sua pressão baixa pelo menos 1 mmHg.
• Se você estiver acima do peso e levemente hipertenso, provavelmente sua pressão normalizará ao perder os quilos em excesso.
• O índice de massa corporal é o mecanismo de aferição do peso. Através dele você sabe se está acima do seu peso ideal e quanto. Tal índice (IMC) é o peso em Kg dividido pela altura em metros ao quadrado.

Fórmula do Índice de Massa Corpórea (IMC)
IMC = PESO/ALTURA²

Tabela do IMC
Menor que 20    Abaixo do peso
Entre 20 e 25    Peso Normal
Entre 25 e 30    Sobrepeso
Entre 30 e 40    Obesidade
Maior que  40    Obesidade Mórbida

Exemplo: Sr. João da Silva, 78 kg, 1,70m
Altura = 1,70m X 1,70m = 2,89 m²
IMC = 78kg ÷ 2,89 m²
IMC = 26,98 m² 

• A perda de peso é o método mais eficaz de reduzir a pressão arterial.
• Cada indivíduo tem sua própria forma de emagrecer. Os componentes mais importantes são a decisão e a vontade.
• É óbvio que, reduzindo o consumo de bebidas alcoólicas e de sal e aumentando o exercício físico, sua tarefa de perder peso fica facilitada.

O exercício do hipertenso

• O exercício físico orientado, além de não fazer mal, ajuda a controlar o peso, a pressão arterial, as taxas de gordura e o açúcar no sangue.

• Também diminui o colesterol total e aumenta a fração de HDL, o bom colesterol.

• Menos gordura é depositada nas paredes das artérias. Elas ficam, por isso, mais flexíveis, facilitando a circulação do sangue e baixando a pressão arterial.

• Os exercícios mais indicados são os aeróbicos, isto é, aqueles de longa duração e intensidade moderada. Eles melhoram a função dos pulmões, do coração e os níveis de stress.

• Caminhada, ciclismo, dança, ioga, tai-chi-chuan, alongamentos, natação e hidroginástica são bons exemplos de exercícios aeróbicos.

• Atenção, a musculação é uma atividade de curta duração e alta intensidade. Pode provocar picos na pressão arterial e NÃO é o exercício ideal para o hipertenso.

Como determinar a intensidade da atividade física:

• A intensidade dos exercícios deve ser determinada pela freqüência cardíaca (FC), calculada da seguinte forma:

Freqüência Cardíaca Máxima prevista para sua idade = 220 – idade
(mas o melhor é verificar a máxima atingida em seu teste ergométrico)

• A interpretação do teste ergométrico, o eletrocardiograma de esforço, é a melhor maneira de obter a FC ideal para os seus exercícios físicos. A indicação é exercitar-se três vezes por semana, dentro da faixa de 50% a 75% da FC máxima atingida no teste.

• Evite exageros e procure exercitar-se com orientação de profissionais competentes, pois a atividade física é um excelente coadjuvante no tratamento e controle da hipertensão.

No Livro Desembarcado a Hipertensão, de autoria do Dr. Lucchese, esses e outros temas são amplamente abordados