Em nenhuma hipótese as orientações e dados divulgados devem substituir aquelas recomendadas individualmente pelo seu médico assistente.
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INFORMAÇÕES SOBRE O SEU CORAÇÃO

Hipertensão: o inimigo silencioso - Parte 1
Dr. Fernando Lucchese


No Brasil, existem aproximadamente 25 milhões de hipertensos e, por ser uma doença silenciosa, acredita-se que uma terça parte dessa população (cerca de 8 milhões) não sabe tê-la.

• A hipertensão é dividida em dois grupos, a primária, ou também chamada idiopática, corresponde a 90% dos casos. É aquela em que os médicos não sabem determinar a causa precisa.

• A secundária tem este nome justamente por ser secundária a outra doença, podendo esta ser do cérebro, da aorta, dos rins ou de uma das glândulas.

• A hipertensão nada mais é do que a elevação intermitente ou sustentada da pressão arterial a limites anormais.

• Tal elevação pode ocorrer quando o coração está contraindo, sendo chamada de hipertensão sistólica (conhecida como máxima), ou quando em repouso, sendo chamada de hipertensão diastólica (conhecida como mínima).

Os padrões internacionais de normalidade para a pressão arterial são:
- pressão SISTÓLICA (máxima) igual ou menor que 140 me.
- pressão DIASTÓLICA (mínima) igual ou menor que 90 mmHg.

São considerados anormais as quando:

Nível I - Hipertensão Leve:
- máxima entre 140 e 159
- mínima entre 90 e 99

Nível II - Hipertensão Moderada:
- máxima entre 160 e 179
- mínima entre 100 e 109

Nível III - Hipertensão Severa:
- máxima mais de 180
- mínima mais de 110

• Há dois exageros indesejáveis, medir demais a pressão arterial ou nunca medir.

• Uma única medida não determina que uma pessoa tenha hipertensão, sendo necessária a verificação em horários e situações diferentes.

• Esteja confortável ao medir a pressão. Ela pode ser alterada por vários fatores, tais como:
- Ansiedade
- Fumo
- Dor
- Estômago cheio
- Bexiga cheia
- Frio
- Exercício
- Ruídos

• Os aparelhos de pressão arterial são facilmente encontrados em farmácias e lojas de utensílios. A colocação correta do aparelho no braço e a utilização do estetoscópio podem ser aprendidas com um médico, um enfermeiro ou com qualquer outra pessoa com prática.

Como preveni-la

• Os Estados Unidos têm cerca de 60 milhões de hipertensos. Somente a metade deles faz tratamento regular e 30% controlam a doença com sucesso. O restante não se trata ou nem sabe ser hipertenso.

• Meça a pressão de sua família periodicamente, para não ter surpresas.

• Após os 50 anos, os cuidados devem ser intensificados, já que aumentam as chances do surgimento da doença.

• Os indivíduos hipertensos têm 30% mais chances de sofrer um infarto e 95% mais risco de acidente vascular cerebral (derrames e tromboses)

Os fatores de risco não-modificáveis:

• Idade: com o passar dos anos aumenta a incidência de hipertensão devido à piora das funções renais e à aterosclerose, que endurece a parede dos vasos, aumentando a resistência à passagem do sangue.

• Sexo: a doença é mais comum nos homens e em mulheres após a menopausa.

• Os negros têm duas vezes mais hipertensão do que os brancos. Além disso, neles a doença se desenvolve mais precocemente e de forma mais severa, causando mortes em idades mais precoces.

Os fatores de risco modificáveis:

• Obesidade e sobrepeso: emagrecer é a primeira medida para baixar a pressão arterial.

• A diminuição da utilização de sal, gorduras e cafeína é importante, assim como ingerir mais potássio, encontrado em bananas, tomates e suco de laranja.

• Fumo: a nicotina provoca a vasoconstrição e reduz a elasticidade das artérias.

• O sedentarismo também deve ser combatido (como veremos mais adiante).

• O stress provoca vasoconstrição e taquicardia.

• O colesterol do sangue e, em especial o LDL, deve ser diminuído

• As bebidas alcoólicas também aumentam a pressão arterial

Como diagnosticá-la

Geralmente, pode-se ser hipertenso sem saber. Mas alguns sintomas são conhecidos. Dores de cabeça freqüentes e inexplicáveis na região da nuca, principalmente ao acordar, são a manifestação mais comum. Elas diferem das dores na região frontal da cabeça, causadas por stress e que aumentam durante o dia.

Outros sinais da hipertensão:
• Cansaço
• Tonturas
• Visão borrada
• Escurecimento da visão
• Fraqueza de um lado do corpo
• Sangramento nasal
• Inchaço de mãos e pés
• Palpitação
• Urinar a noite
• Dispnéia (falta de ar)
• Dor no peito

Sempre peça ao médico, independente da especialidade dele, para medir sua pressão arterial. O diagnóstico é descoberto durante o tratamento de qualquer outra doença, inclusive gripe.

Pergunte-se:

• Quando foi a ultima vez que eu e meus filhos medimos a pressão?
• Quando não me sinto bem, costumo medir a pressão?

Os exames essenciais para diagnóstico da hipertensão:

• Raio X do tórax: pode demonstrar aumento do tamanho do coração

• Ecocardiograma Color Doppler: mostra a espessura da parede do coração e o tamanho das cavidades, além dos diâmetros do ventrículo esquerdo, que é responsável pelo bombeamento do sangue a todo organismo.

• Ecografia abdominal: para identificar o tamanho e a forma dos rins.

• Cintilografia renal: para identificar se os rins apresentam sinais de diminuição (atrofia), se há presença de má-obstrução na artéria renal e redução do fluxo de sangue através dos rins.

• Eletrocardiograma: pode demonstrar hipertrofia ou redução de fluxo (isquemia) através do músculo do coração.

• Teste ergométrico em esteira: também conhecido como eletrocardiograma de esforço, analisa a função das coronárias, se há obstrução que limita o fluxo de sangue (isquemia), se, durante o exercício físico, a pressão se mantém em níveis normais ou sobe em demasia, e se ocorre hipertensão, apesar da medicação.
• Exame comum de urina: pode demonstrar a presença de proteína, glóbulos vermelhos ou brancos, auxiliando no diagnóstico de doença renal ou diabetes.

• Exame de sangue: demonstra os níveis de potássio (quando baixos, podem indicar disfunção da glândula supra-renal e a presença de aldosteronismo primário, doença que resulta em hipertensão) e de uréia e creatina (quando altos, indicam doença renal).

• T3, T4 e SH: hormônios da tireóide que, quando alterados, elevam a pressão arterial.

• Proteína C-reativa: indicadora da presença de inflamação nos vasos, com depósitos de gordura.

• Homocisteína: substância do sangue indicadora de risco de aterosclerose.

Problemas diretamente relacionados à hipertensão:
• Hipertrofia do ventrículo esquerdo
• Doença coronária, levando a angina e infarto agudo do miocárdio
• Cirurgia de ponte de safena prévia
• Acidente vascular cerebral
• Isquemia cerebral transitória
• Nefropatia hipertensiva
• Retinopatia ou doença dos vasos da retina
• Doença arterial periférica


No Livro Desembarcado a Hipertensão, de autoria do Dr. Lucchese, esses e outros temas são amplamente abordados