Em nenhuma hipótese as orientações e dados divulgados devem substituir aquelas recomendadas individualmente pelo seu médico assistente.
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É perigoso assistir a uma partida disputada de futebol?
Dr. Leandro I. Zimerman

Discute-se muito o risco de atletas de alta performance nos dias de hoje. Em uma partida de futebol, um atleta corre aproximadamente 10 quilômetros, sendo 10-20% em velocidade máxima. O próprio árbitro não fica atrás, com uma distância percorrida por jogo de aproximadamente 12 quilômetros. O que se discute menos é o efeito que o estresse do jogo causa no espectador. Levando-se em conta que as 64 partidas da última Copa do Mundo de Futebol, em 2006, foram assistidos por 3,2 milhões de espectadores nos estádios e bilhões de pessoas por todo o mundo, este é um assunto que ganha grande relevância.


Momentos de ansiedade ou raiva podem aumentar o tônus adrenérgico e a estimulação simpática do coração, com aumento de freqüência cardíaca, resistência vascular e pressão arterial. Essas alterações, por sua vez, levam a um aumento de demanda de oxigênio e risco aumentado de lesão vascular, potencializando ruptura de placas. Essas adaptações podem levar a arritmias tanto por efeito direto como pelo desencadeamento de síndromes isquêmicas agudas. Em pessoas com doença cardíaca ou fatores de risco prévios, esse risco é maior. Sabe-se também que o nível de glicose em diabéticos tende a aumentar nesses momentos.


Em relação à morte súbita, vários trabalhos têm demonstrado o aumento de suas taxas em momento de grande trauma emocional. Grandes terremotos, ataques com mísseis à população civil, ou mesmo o simples fato de haver crença de que um determinado dia é “de azar”, aumentam a mortalidade súbita. Quanto a assistir partidas de futebol, há dados confirmando que pode haver aumento de mortalidade. Durante a Copa do Mundo de Futebol em 1998, as admissões à Emergência por infarto do miocárdio aumentaram na Inglaterra por dois dias após a eliminação deste país para a Argentina nos pênaltis. Na Copa Européia, em 1996, a Holanda perdeu sua classificação também nos pênaltis, tendo se observado aumento importante de morte por infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral em homens; este aumento não foi observado em mulheres. E, independente da causa, a mortalidade súbita na Suíça cresceu durante o período da Copa do Mundo de 2002 quando comparada com o ano anterior. E o que dizer do estresse emocional chamado de positivo, a alegria da vitória? Os dados mostram que este não causa aumento de risco, talvez até o oposto. Por exemplo, no dia em que a França ganhou do Brasil na final da Copa do Mundo de 1998, o número de mortes por infarto do miocárdio na população masculina francesa sofreu uma redução significativa.


Em suma, a resposta é sim. A atividade física regular é altamente benéfica para a redução de eventos cardíacos, mas em determinadas circunstâncias pode ser de risco inclusive para o espectador.


Jornal Sobrac, Out/Dez 2007



Bibliografia:

1. Baumhäkel M, Kindermann M, Kindermann I, Böhm M. Soccer world championship: a challenge for the cardiologist. European Heart Journal 2007; 28: 150-153
2. Berthoer F, Boulay F. Lower myocardial infarction mortality in French men the day France won the 1998 World Cup of football. Heart 2003; 89:555-556
3. Hart J, Weingarten M, Druckman A, Feldman Z, Shay A. Acute cardiac effects of “SCUD” misseile attacks on a civilian population. Med War 1993; 9:40-44
4. Katz E, Metzger J, Marazzi A, Kappenberger L. Increase of sudden cardiac deaths in Switzerland duritng the 2002 FIFA World Cup. Int J Cardiol 2006; 107:132-133


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