Em nenhuma hipótese as orientações e dados divulgados devem substituir aquelas recomendadas individualmente pelo seu médico assistente.
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INFORMAÇÕES SOBRE O SEU CORAÇÃO

Cuidados com o coração das mulheres
Dr. Paulo Ernesto Leães


A doença cardiovascular (DCV) ainda é a principal causa de morte feminina, sendo responsável por meio milhão de óbitos femininos só nos Estados Unidos, o que se traduz em aproximadamente uma morte a cada minuto. A doença cardíaca coronariana (DCC) é a grande responsável desse panorama e, por esse motivo, é alvo primário das estratégias preventivas.

 

Como o ginecologista é, em geral, o único médico que elas consultam, esse profissional passa a ter papel fundamental na prevenção primária e secundária dessas doenças. Desde 1997, vêm sendo elaborados guidelines para guiar esse e outros especialistas na prevenção da DCV especificamente em mulheres, sendo um dos mais importantes o publicado por Mosca e colaboradores em 2004 e que foram atualizados pela autora em 2007, com o objetivo de desenvolver estratégias baseadas em evidências para a prevenção dessas doenças. Um dos conceitos mais importantes é que a doença cardiovascular não é uma condição categórica, de "tem" ou "não tem", e sim um contínuo de espectro de risco.

 

Os grupos de risco são definidos por critérios clínicos e pelo escore de Framingham, que calcula o risco em percentagem de um evento coronariano em 10 anos, a partir de uma série de parâmetros, como idade, taxa de colesterol, e pressão arterial, para os quais é atribuída uma pontuação. Apesar das limitações, é uma importante ferramenta para ser usada na prática clínica para cálculo do risco por médicos e pacientes.

 

São consideradas de alto risco, por exemplo, mulheres com doença cardíaca coronariana estabelecida, cerebrovascular, arterial periférica, aneurisma abdominal aórtico, doença renal crônica, diabetes Melitus ou risco global de Framingham maior que 20%. Já as intermediárias são aquelas que incluem algum fator de risco importante para doença cardiovascular, incluindo tabagismo, dieta inadequada, sedentarismo ou obesidade, entre outras, enquanto as consideradas de baixo risco têm estilo de vida saudável

 

As recomendações baseadas em evidências para prevenção da DCV em mulheres são agrupadas em: intervenções no estilo de vida, intervenções nos fatores de risco maiores e intervenções farmacológicas preventivas.