Em nenhuma hipótese as orientações e dados divulgados devem substituir aquelas recomendadas individualmente pelo seu médico assistente.
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INFORMAÇÕES SOBRE O SEU CORAÇÃO

Como enfrentar o Diabetes - Parte 1
Dr. Fernando Lucchese

 

Conceito e Estatísticas

• O Diabetes Mellitus é uma doença crônica que leva o indivíduo a ter um nível elevado de glicose no sangue. Em pessoas normais, essa taxa é de cerca de 60 a 110mg/dl após jejum de 12 horas.

• Quando os níveis de glicose estão acima do 110mg/dl, ocorre a hiperglicemia e, quando estão abaixo dos 60mg/dl, a hipoglicemia.
 
• Segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde, o diabetes existe quando a taxa de glicose em jejum de oito horas é superior a 126mg/dl, ou quando é superior a 200 mg/dl a qualquer hora do dia e acompanhada de sede, diminuição de peso e aumento do volume de urina.

• O diagnóstico do diabetes também é confirmado pela elevação, acima do normal, da glicemia após a ingesta de glicose. Valores maiores que 140mg/dl obtidos duas horas após a ingesta de 75g de glicose por uma pessoa adulta já caracterizam a doença.

• Para prevenir a instalação de doenças coronarianas, a American Heart Association sugere combater elevações de glicose entre 110 e 126 mg/dl em jejum.

Insulina

• Produzida pelo pâncreas, um órgão próximo ao estômago, a insulina é o hormônio responsável pela queima de açúcar no sangue.

• Ela transforma o açúcar, as gorduras e as proteínas nos materiais que compõem nosso organismo e nas energias que utilizamos para todas as atividades.

• Sem insulina, a pessoa não sobrevive: emagrece, perde líquido a ponto de ficar desidratada e, como fica com pouca água e muita glicose em sua circulação, entra em coma.

• A doença acontece quando o mecanismo de produção de insulina pára de funcionar ou apresenta defeitos, fazendo com que o organismo não consiga passar a glicose do sangue para as células dos músculos, do fígado e dos tecidos, onde é armazenada.

Por que é importante conhecer esta doença?

Porque o diabetes mal controlado pode causar inúmeras complicações, como, por exemplo:
• cegueira
• insuficiência renal
• aterosclerose
• infarto do miocárdio
• isquemia cerebral
• amputação das extremidades
• vulnerabilidade a infecções
• cicatrização difícil

Quais são os principais sintomas?

O indivíduo que tem diabetes geralmente não apresenta sintomas, mas quando os níveis de açúcar estão elevados, pode ter:
• fome repentina ou em excesso
• emagrecimento rápido
• sede em excesso
• necessidade de urinar freqüentemente
• tremores e desmaios
• vista embaçada
• indisposição, cansaço, desânimo, sonolência ou fraqueza

Se o doente seguir o tratamento adequado, realizar o monitoramento da glicemia, mantiver uma alimentação saudável, fizer exercícios, realizar check-ups regulares, controlar o peso e não fumar, o diabetes poderá não causar problema algum. Entretanto, o preço poderá ser alto, caso negligencie a doença.

Tipos e causas da doença

O diabetes tipo I    

• Ocorre quando o pâncreas não produz insulina ou produz em pouca quantidade. Antigamente, era chamada de diabetes juvenil e, atualmente, de dependentes de insulina

• Começa sem aviso. Há uma predisposição genética para que o sistema de imunidade do organismo passe a produzir anticorpos contra as células do pâncreas que produzem insulina, destruindo-as.
   
• O paciente é obrigado a usar insulina injetável para que as células do organismo absorvam a glicose do sangue.

O diabetes tipo II

• Está relacionado a hereditariedade, ocorrência de obesidade e vida sedentária. Mesmo com a genética familiar, pode-se passar a vida sem o aparecimento da doença.

• Ocorre quando o pâncreas produz insulina, mas a quantidade é insuficiente para a quantidade de glicose presente no sangue, ou quando há pouca sensibilidade do organismo à ação da insulina. São os chamados não dependentes de insulina, já que a doença pode ser controlada com medicação, dieta e exercícios físicos.

• Tem início gradual, com sintomas vagos evoluindo para complicações neurológicas e vasculares, podendo levar à dependência de insulina.
 
• Está associada com os seguintes fatores:
- obesidade
- idade acima dos 45 anos
- gravidez
- stress
- vida sedentária
- uso de alguns medicamentos
- colesterol e triglicérides elevados no sangue

Dieta e os principais alimentos   

Qual a alimentação correta para os diabéticos?

O diabético deve consumir todos os nutrientes básicos ao bom funcionamento do organismo, evitando açúcar e gorduras e mantendo a glicose no sangue perto dos níveis normais.

Proteínas

• Responsáveis pela formação e construção de músculos, ossos e sangue, são fundamentais para a formação de células hormonais, de enzimas e para a renovação dos tecidos.

• De um modo geral, a dieta de um adulto deve ser constituída de 10 a 20% das calorias oriundas das proteínas, encontradas em carnes, peixes, ovos, leite e seus derivados; grãos como feijão, lentilha, ervilha, grão-de-bico e soja.

Carboidratos

• Fornecem energia para o organismo se manter em funcionando, exercendo todas as suas atividades diárias. É de onde vem a grande maioria das calorias que ingerimos.

• As fontes mais recomendadas de carboidratos são provenientes das frutas, massas, arroz, milho, batata e mandioca. Tais carboidratos são complexos e menos calóricos, interferindo menos nos níveis de glicose no sangue, ao contrário dos doces

Gorduras

• Grande fonte de energia ao organismo, auxiliam no transporte e na utilização das vitaminas A, D, E e K.

• Diferente das proteínas e dos carboidratos, que fornecem 4cal/g, as gorduras fornecem 9cal/ g, devendo, portanto, constituir, no máximo, 30% da dieta, em razão do elevado grau calórico.

Vitaminas e sais minerais

• Auxiliam no funcionamento do organismo, pois tem função reguladora. Não fornecem calorias, entretanto são protetores da visão, de ossos e dentes e aumentam a resistência contra infecções.

• Com uma alimentação variada, rica em frutas e verduras, é possível obter todas as vitaminas e sais minerais necessários.

Fibras

• São constituídas de carboidratos complexos, que ajudam no bom funcionamento dos intestinos. Também auxiliam no controle do colesterol, pois as gorduras se prendem às fibras e, posteriormente, são eliminadas pelas fezes. São encontradas em frutas, feijão e cereais integrais.

Água

• É indispensável para a manutenção da vida por hidratar o organismo e transportar os nutrientes. Um adulto necessita de um a dois litros de água por dia, quantidade que deve ser elevada nos dias mais quentes.

Dicas sobre alimentação

• As pessoas diabéticas e dependentes de insulina não devem ficar mais do que três horas sem comer e beber.

• A alimentação deve ser fracionada em até seis refeições com horários regulares e quantidades adequadas.

• A utilização do sal deve ser feita com moderação por causa do risco da hipertensão, não ultrapassando a necessidade diária máxima de 4 gramas.

• Em especial, deve-se cuidar com a ingesta de produtos industrializados e embutidos (salames etc), por conterem muito sal, serem ricos em gorduras e altamente calóricos.

• Doces e gorduras devem ser ingeridos apenas eventualmente, e em conformidade com a orientação médica ou do nutricionista, por terem altas taxas de gorduras e colesterol e serem demasiadamente calóricos.

• Bebidas alcoólicas devem ser evitadas, e refrigerantes comuns, substituídos por dietéticos, água mineral ou chás. O mesmo vale para os sorvetes e chocolates.

• Alimentos dietéticos devem ser consumidos sob orientação e moderação, pois são calóricos.

Tenha claro


• Alimentos LIGHT são menos calóricos, podendo ou não conter açúcar.
• Alimentos DIET não contêm açúcar, mas podem ser mais calóricos do que os normais.
• Os diabéticos devem optar por ADOÇANTES ARTIFICIAIS à base de aspartame, sacarina, ciclamato, estévia, sucralose e acesulfame k.

Benefícios dos exercícios físicos

• Aumentam a disposição para as necessidades diárias.
• Auxiliam no controle ou na manutenção do peso, uma vez que queimam calorias.
• Reduzem as doses de insulina pelo aumento da sensibilidade à ação desse hormônio.
• Reduzem o risco de aterosclerose e suas complicações.
• Diminuem os níveis de glicose no sangue.
• Diminuem os triglicerídeos.
• Aumentam o bom colesterol (HDL) com redução do colesterol total.
• São um excelente coadjuvante no tratamento da hipertensão.
• Aumentam a força de contração do coração, assim como a elasticidade das artérias.
• Aumentam a resistência física e a flexibilidade.
• Elevam a auto-estima, a qualidade de sono e a redução do stress.

Antes de começar

• Procurar o médico e realizar um check-up.
• A interpretação dos resultados dos exames determinará as características biológicas. Isto é, definirá as particularidades e limitações, o tipo e a intensidade da atividade física para cada um, garantindo objetividade e segurança na prática dos exercícios físicos.


Os assuntos abordados neste texto são amplamente detalhados e ilustrados no livro DESEMBARCANDO O DIABETES, da LP&M editora e de autoria do Dr. Fernando Lucchese.