Em nenhuma hipótese as orientações e dados divulgados devem substituir aquelas recomendadas individualmente pelo seu médico assistente.
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INFORMAÇÕES SOBRE CIRURGIA DO CORAÇÃO

Revascularização Miocárdica
Dr. José Dario Frota Filho

O que é Revascularização Miocárdica (RM)?

Revascularização Miocárdica (RM) é um tipo de cirurgia cardíaca na qual uma ou mais coronárias obstruídas recebem pontes com enxertos de safena e/ou de mamária, com o objetivo de restabelecer o fluxo sanguíneo para as áreas comprometidas do coração.

Tais enxertos são feitos com artérias e veias do próprio paciente localizadas no tórax (artéria mamária), nos membros inferiores (veias safenas) ou nos antebraços (artérias radiais). Raramente são utilizadas as artérias do abdômen (artéria gastroepiplóica).

Qual o objetivo da operação de RM?
O objetivo da operação é aliviar ou resolver completamente os sintomas derivados da isquemia do músculo cardíaco, ou seja, da falta de de sangue oxigenado, problema secundário às obstruções nas artérias coronárias. O sintoma mais comum é a “dor no peito”, ou angina.

O êxito da cirurgia propicia ao paciente o retorno a um estilo de vida normal, ou com mínimas limitações, além de diminuir significativamente o risco de ataques cardíacos (infartos) e outros problemas cardíacos.

Quem é candidato a RM?
A extensão da doença coronariana, a gravidade dos sintomas, a idade e outras condições médicas importantes determinam o tipo de tratamento a ser seguido, que pode ser com medicamentos, procedimentos invasivos (cateterismo com angioplastia) ou com cirurgia (revascularização miocárdica), ou ainda com a combinação de dois ou mais desses métodos. O cardiologista e o cirurgião avaliam o melhor método de tratamento para cada paciente, individualmente.

O que acontece durante a cirurgia de RM?
A operação tem uma duração variável entre três e cinco horas, dependendo do número de pontes necessárias, do biótipo do paciente (obesos e de baixa estatura apresentam maiores dificuldades à equipe) e de outras condições cardíacas que podem ou não dificultar o procedimento.

Depois que o paciente está profundamente anestesiado, os cirurgiões iniciam a preparação de veias e artérias para a realização das pontes. O tórax é aberto, através do esterno, e as pontes são, então, implantadas. Ao final, o cirurgião posiciona os drenos de tórax e os fios de marca-passo temporário, e sutura o osso esterno com fios ou fitas de aço (são inertes, não ocorrendo risco de rejeição). Antes da alta, o paciente recebe todas as informações referentes à operação realizada.

Quais são os enxertos mais utilizados nas RM?
Há vários tipos de enxertos, mas comumente são utilizadas artérias e veias do próprio paciente. Os cirurgiões decidem qual o tipo de enxerto a ser implantado de acordo com o local da obstrução da coronária, o percentual dessa obstrução e o diâmetro das coronárias.

As artérias mamárias internas (artérias torácicas internas) são implantadas na quase totalidade dos pacientes e apresentam excelentes resultados ao longo de muitos anos. A esquerda é utilizada em mais de 90% dos casos, mas eventualmente ambas as mamárias podem ser utilizadas. A artéria radial também é bastante utilizada. Além desta, há uma segunda artéria no antebraço: a ulnar. Em geral, o fluxo sanguíneo para o antebraço e a mão é provido por ambas. O exame cuidadoso determina se a radial pode ser removida sem prejuízo para a circulação. A maioria dos pacientes não apresenta problemas após a remoção da radial, exceto dormência ao nível do punho depois da operação, que tende a desaparecer ou diminuir a longo prazo.

As artérias do abdômen, a gastroepiplóica e a epigástrica inferior, são menos utilizadas. Além de demandar mais tempo e extensão do procedimento cirúrgico, não há evidências inequívocas de que são melhores enxertos que os demais.

As safenas são muito usadas, pois veias que não são varicosas e não apresentam espessamento das paredes por flebites passadas são consideradas excelentes enxertos e de fácil obtenção. A cicatrização nos membros inferiores pode ser incômoda, mas várias atitudes são adotadas com o intuito de evitar esse desconforto no pós-operatório.

RM com ou sem circulação extracorpórea?
Há duas técnicas que podem ser utilizadas nas RM. Diferem em um ponto importante: empregar circulação extracorpórea (CEC) ou não. Tradicionalmente a RM é realizada utilizando um equipamento chamado Coração-Pulmão Artificial, ou simplesmente “máquina ou bomba de circulação extracorpórea”.
Durante a operação, o sangue é desviado do coração e dos pulmões para tal máquina. O coração pára de bater e os cirurgiões podem operar com o órgão sem sangue, o que resulta em visibilidade e conforto. Entretanto, ocorre aumento da morbidade (complicações) devido ao contato do sangue com materiais estranhos e ao trauma das células sanguíneas causado pela máquina de CEC.

Nas operações sem CEC, ou com o “coração batendo”, não ocorre nenhum desvio de sangue, e o coração segue bombeando em ritmo normal. Nesses casos, os cirurgiões utilizam equipamentos avançados que permitem posicionar e estabilizar as áreas do coração que necessitam pontes, além de propiciar visibilidade em um campo cirúrgico quase sem sangue. Enquanto isso, o coração segue bombeando e promovendo a circulação normal do sangue. A morbidade desta técnica é menor mas ambas oferecem resultados seguros e satisfatórios. A escolha dependerá mais da aptidão e preferência dos cirurgiões.

O que acontece depois de concluída a operação?
O paciente é transferido para a Unidade de Tratamento Intensivo Cirúrgico para observação rigorosa durante um ou dois dias. Na UTI Cirúrgica, transcorrem as horas de maior risco no pós-operatório, sendo observados com rigor todos os parâmetros e os sinais ditos vitais. Uma vez o paciente transferido da UTI para o apartamento ou enfermaria, usualmente ocorre a alta hospitalar dentro de quatro a seis dias, totalizando um tempo de internação após a cirurgia de cerca de oito dias.

Como ocorre a recuperação após a alta hospitalar?
A recuperação completa da cirurgia de RM ocorre geralmente entre 40 a 60 dias. A maioria dos pacientes pode retomar parcialmente suas atividades após o primeiro mês e dirigir veículos de passeio depois de dois meses. É necessário minimizar o edema (“inchume”) que pode ocorrer no membro inferior do qual foi retirada a safena. Os cardiologistas e cirurgiões, bem como as equipes de enfermagem e fisioterapia, dão instruções específicas quanto às atividades e como cuidar das incisões e da saúde em geral, após a cirurgia.

O que é necessário após este período?
A cirurgia de Revascularização Miocárdica não previne a recidiva de obstruções nas coronárias decorrentes da progressão da aterosclerose. Conseqüentemente, é imprescindível que sejam empreendidas mudanças no estilo de vida, e o uso de medicamentos é recomendado para reduzir este risco. Consultas e exames periódicos serão necessários. Mudança no estilo de vida inclui, pelo menos:
parar de fumar
controle do colesterol
controle da pressão arterial
controle do diabetes, se presente
exercícios físicos regulares
controle do peso
dieta saudável
Controle do estresse e da raiva
uso rigoroso de medicamentos
participação de programas de reabilitação, se necessário
revisões médicas periódicas


RM é um tipo de cirurgia na qual uma ou mais coronárias obstruídas recebem pontes com enxertos de safena e/ou de mamária As coronárias obstruídas recebem pontes com enxertos de safena e/ou de mamária As coronárias obstruídas recebem pontes com enxertos de safena e/ou de mamária A veia safena, da perna, é uma das utilizadas para realizar os enxertos