Em nenhuma hipótese as orientações e dados divulgados devem substituir aquelas recomendadas individualmente pelo seu médico assistente.
Diminuir letra Aumentar letra
INFORMAÇÕES SOBRE CIRURGIA DO CORAÇÃO

Cirurgia de Válvula Cardíaca - Parte 3
Dr. José Dario Frota Filho

TRATAMENTO DAS VÁLVULAS
 
Possibilidade de Troca e Reparo Valvar

 
A doença das válvulas cardíacas pode ser tratada de várias maneiras: 1) tratamento com medicação; 2) reparo cirúrgico; 3) troca cirúrgica.
 
Se o cirurgião escolher trocar a válvula natural do coração, o primeiro passo é remover a válvula natural doente e implantar uma prótese valvar cardíaca, oferecidas em diferentes tamanhos, para se adequar ao paciente, e fabricadas com diferentes tipos de materiais.
 
Existem duas grandes categorias de válvulas cardíacas, classificadas de acordo com o tipo de material:
 
•    Biopróteses ou válvulas biológicas, feitas basicamente de tecido animal, como, por exemplo, o pericárdio bovino (uma membrana que reveste o coração), a válvula aórtica de porco, ou válvulas humanas de pessoas já falecidas.
•    Válvulas mecânicas construídas de materiais sintéticos.
 
 
Reparo Valvar
 
Sempre que possível é preferível reparar cirurgicamente a válvula de um paciente ao invés de trocá-la por uma prótese. O reparo freqüentemente envolve modificação cirúrgica dos tecidos ou das estruturas da base das válvulas mitral ou tricúspide, podendo ser realizado com ou sem implante de uma banda ou anel de anuloplastia, dispositivo de suporte que permite às cúspides naturais da válvula do paciente se fechar por completo e funcionar normalmente.
 
Válvulas Biológicas
 
Há uma grande variedade de válvulas biológicas. Elas são definidas conforme abaixo:
 
•    Heteroenxerto (ou Xenoenxerto) – válvulas ou tecidos preservados retirados de animais, como, por exemplo, vaca ou porco
•    Homoenxerto (ou Aloenxerto) – válvulas humanas ou de tecidos tirados de pessoas já falecidas
•    Autoenxerto/Tecido Autólogo:
      Autoenxerto – válvula movida de uma posição para outra no mesmo indivíduo, como, por exemplo, a válvula pulmonar para a posição aórtica
     Tecido autólogo – válvula construída com o próprio tecido do paciente
 
O Heteroenxerto é uma válvula biológica feita de tecido animal. As válvulas de pericárdio tradicionalmente contêm folhetos feitos de pericárdio (uma membrana que reveste o coração bovino) costurados numa armação flexível ou semiflexível. Outro tipo de válvula biológica é a porcina, feita da válvula aórtica do porco, que é costurada numa armação flexível ou semiflexível, recebendo, assim, o nome de válvula com stent. A raiz aórtica natural também pode ser deixada intacta, para funcionar como armação, e fazer, assim, uma válvula sem stent.
 
Válvulas Mecânicas
 
Existem três tipos básicos de válvulas mecânicas. A válvula de dois folhetos é constituída de dois discos semicirculares que abrem e fecham simultaneamente. Eles são montados em dobradiças dentro de um anel.
 
A válvula de disco basculante consiste em um compartimento com um único disco, que se inclina, abrindo e fechando. O disco é, em geral, sustentado por pinos.
 
O formato bola e gaiola é a válvula que tem uma esfera que se move dentro de um compartimento do tipo gaiola.
 
Critério de Escolha das Válvulas Cardíacas
 
Escolha de uma Válvula Cardíaca

 
A escolha entre as válvulas mecânicas e biológicas geralmente depende de uma análise individual dos riscos e benefícios de cada uma, segundo o estilo de vida, a condição clínica e, principalmente, a idade do paciente. Entretanto, não há consenso a respeito de uma idade limite exata na qual uma válvula biológica deva ser mais apropriada do que uma mecânica.
 
A condição pré-operatória do paciente é extremamente importante na determinação de qual tipo de válvula usar. Pacientes mais velhos ou pessoas que tenham outras doenças podem ser grandes candidatos para válvulas biológicas. Algumas dessas doenças são: doença arterial coronariana ou problemas renais que freqüentemente necessitam de outras cirurgias, nas quais a medicação anticoagulante não é recomendada. Essa medicação anticoagulante seria necessária para o uso com as válvulas mecânicas.
 
Há muitas variáveis que os cirurgiões/cardiologistas precisam avaliar ao determinar a melhor opção para o paciente.
 
O período normal de recuperação de uma cirurgia cardíaca ocorre dentro das primeiras quatro a seis semanas após o procedimento. Geralmente, durante tal período, os pacientes começam a recuperar o tônus muscular e retornam aos níveis normais de atividade.

As informações a seguir podem ajudar aos pacientes que fizeram o reparo ou a troca valvar, por uma prótese cardíaca ou um anel de anuloplastia. Elas estão sendo fornecidas para ajudar o paciente a entender a cirurgia cardíaca e a vida com a nova prótese valvar, além dos cuidados médicos relacionados. Consultas periódicas com um cardiologista são essenciais. Os pacientes devem consultar o médico sempre que tiverem dúvidas ou preocupações, especialmente diante de sintomas diferentes ou alterações na saúde, de modo geral.
 
Vantagens das Válvulas Biológicas
•    Menor risco de formação de coágulos, que podem levar ao derrame
•    Não há necessidade de utilizar medicamentos anticoagulantes de longo prazo na maioria dos casos, o que pode resultar em melhor qualidade de vida para o paciente (ou seja, não é necessária medicação diária, e os exames laboratoriais periódicos são reduzidos)

Desvantagens das Válvulas Biológicas
•    Risco potencial de necessidade de nova operação para substituir a válvula
 
Vantagens das Válvulas Mecânicas
•    Potencialmente poderá durar mais
 
Desvantagens das Válvulas Mecânicas
•    Requerem utilização de medicamentos anticoagulantes no longo prazo para minimizar o risco de formação de coágulos
•    Podem ter restrições de dieta e atividade física
•    O fluido produzido pela válvula poderá ser incômodo


Figura 1 - Prótese biológica. Figura 2 - Prótese de pericárdio bovino Figura 3 - Prótese metálica de duplo folheto Figura 4 - Prótese metálica de disco Ânico