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NOTÍCIAS

30/08/2016
Simpósio convida o público a refletir sobre reconciliação

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Crédito da imagem: Lauro Alves/Agência RBS

A terceira edição do Simpósio de Espiritualidade e Saúde da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre lotou o Salão de Atos da PUCRS na noite da última segunda-feira, 20 de agosto.

Reconciliação e Paz iniciou com uma bênção ecumênica conduzida pelo Grupo de Diálogo Inter-religioso de Porto Alegre. Representantes de diversas doutrinas deram um abraço como forma de simbolizar a reconciliação entre as religiões.

Dirigentes do Internacional e do Grêmio, os maiores clubes de futebol do Estado – e principais rivais em campo -, trocaram esse mesmo abraço com o intuito de promover a paz entre times e torcidas.

Primeiro palestrante da noite, Nelson Jobim, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, da Justiça e da Defesa, falou sobre a reconciliação com o passado para usá-lo como referência na construção do futuro, assim como o respeito a divergências para que não se transformem em ódio. Para ele, o “medo da liberdade leva à submissão e ao fanatismo”.

Ainda de acordo com Jobim, “a reconciliação não é fácil porque vem acompanhada de renúncia”, mas considera que tantas pessoas presentes no simpósio em uma noite de chuva demonstra que podemos ter esperança nessa transformação.

Principal convidado do evento, o monge beneditino e escritor alemão Anselm Grün, autor de mais de 300 obras sobre espiritualidade, pautou sua fala na reconciliação como um caminho para a paz.

Grün contou ao público os passos necessários no processo de reconciliação:

1. A reconciliação consigo mesmo e com sua própria realidade.

Se despeça de ilusões causadoras de sofrimento e de pensamentos equivocados sobre si. A palavra-chave, aqui, é confiar.

2. A reconciliação com o lado sombrio de cada um.

Segundo o monge, sentimentos opostos como amor e ódio, fé e descrença, disciplina e indisciplina, fazem parte de todos. O conselho é conhecer, aceitar e abraçar essas oposições. “Quando abraço minha descrença, aprofundo a minha fé”, explica.

3. A reconciliação com suas próprias feridas.

Conforme Anselm, é importante olhar para as feridas que o vitimaram, mas é necessário evitar permanecer neste papel. “Quando permanecemos vítima, cometemos algo contra nós mesmos, pois transmitimos energias negativas. Uma maneira de curar é utilizar a imagem da criança vitimada e tirá-la desse sofrimento”, ensina.

4. Aceitar-se como puro e claro.

De acordo com o escritor, “muitos não alcançam a paz porque se consideram culpados de algo, devedores de algo. Quando nos desligamos desse sentimento, encontramos a quietude”.

5. Perdoar.

Reconhecer a dor que alguém causou, sem pular etapas ou fazer de conta que ela não existe. Experimentar a raiva e a ira, mas usá-las como um impulso de vida, para que nada o destrua. Perdoar, descreve Anselm, é purificar-se. É libertar-se do poder do outro. “Quando não perdoo, continuo sob poder”, afirma.

Anselm Grün finalizou sua participação abordando o sentimento de impotência presente numa sociedade que vivencia o ódio e usou uma metáfora para transmitir esperança aos presentes:

- Somos um fermento que se mistura à massa e faz com que ela se transforme em pão.

Uma bênção proposta pelo monge encerrou o Simpósio Reconciliação e Paz. Dr. Fernando Lucchese, idealizador e coordenador da atividade, salientou a satisfação com o envolvimento do público neste espaço de reflexão proposto pelo evento.

O Simpósio Reconciliação e Paz foi realizado pela Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre em parceria com a Editora Vozes. Contou com o apoio da Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas de Porto Alegre (ADCE-POA), da Arquidiocese de Porto Alegre, da Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência, das Faculdades EST, Ulbra, Unisinos e PUCRS, da AGL Propaganda, do Grupo de Diálogo Inter-religioso de Porto Alegre e com o patrocínio da Vonpar.

Texto: Mariane Selli/Jornalista