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17/07/2017
Reduzir a poluição pode evitar 14 mil mortes por ano

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Crédito da imagem: Internet

A afirmação é do maior estudo já realizado sobre a associação entre a poluição do ar e o risco de morte precoce. Pesquisadores da Universidade Harvard descobriram que reduzir os níveis de partículas poluentes muito finas – como as da poeira mineral e as derivadas da queima de combustíveis fósseis, compostas por sulfato, nitratos, amônia, carbono, poeira mineral, clorito de sódio e água –  pode salvar 12 mil vidas por ano, enquanto diminuir as emissões do gás ozônio pode evitar 1,9 mil mortes anuais.

A pesquisa avaliou dados de 60 milhões de beneficiários do sistema de saúde norte-americano voltado a pessoas com mais de 65 anos entre 2000 e 2012. Informações sobre a qualidade do ar em cada endereço residencial foram cruzadas com a saúde dos participantes. Um modelo estatístico estimou o risco de morte associado à exposição ao gás ozônio e às partículas PM 2,5, o tipo de material particulado que afeta o organismo mais que qualquer outro poluente, de acordo com a Organização Mundial da Saúde.

Partículas com diâmetro inferior a 10 micrômetros – um micrômetro equivale à milésima parte do milímetro – podem penetrar mais profundamente os pulmões e provocar o câncer que mais mata no mundo, o de pulmão. O estudo considerou as  concentrações PM 2,5, que significa a quantidade de partículas com 2,5 micrômetros por metro cúbico de ar.

Os resultados, publicados no The New England Journal of Medicine, impressionam: um aumento de apenas 10 micrômetros por metro cúbico dos poluentes PM 2,5 no ar elevou o risco de morte precoce por todas as causas em 7,4%. Já o aumento de 10ppb (partes por milhão) do gás ozônio foi responsável por 1,1% dos óbitos precoces.

Conforme Francesca Dominici, autora do trabalho, o risco é ainda maior entre homens, negros e pessoas em dificuldade socioeconômica. “Provavelmente porque vivem em áreas com pouco controle de qualidade ambiental”, explica. A pesquisadora afirma que as descobertas devem ter aplicações práticas através de políticas públicas, com potencial de trazer grandes benefícios à saúde de todos, especialmente para minorias étnicas e pessoas em vulnerabilidade.

Estudos anteriores já haviam comprovado que poluentes afetam a respiração e a saúde cardiovascular, provocando hipertensão, arritmias, aterosclerose e formação de coágulos. Outras pesquisas também relacionam a poluição ao desenvolvimento de diabetes.