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05/02/2018
Publicação aborda efeitos da alta altitude em diferentes condições cardiovasculares

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Crédito da imagem: Wanderlust Travel Magazine

Estar em locais muito acima do nível do mar desafia o sistema cardiovascular a trabalhar mais para se ajustar à altitude. Um artigo publicado no American College of Cardiology analisa as evidências disponíveis sobre os efeitos da aclimatação em pacientes com doenças cardiovasculares e o risco de sofrer com complicações.
 
O texto considera altas altitudes aquelas superiores a 2.500 metros. Nestas condições, ocorre a redução progressiva da pressão atmosférica, da temperatura do ar e da umidade. O organismo busca adaptações já que, quanto maior a altitude, menor a quantidade de oxigênio. É comum respirar mais profundamente e mais depressa. A frequência cardíaca aumenta para distribuir o oxigênio a todas as células com mais eficiência. A alta altitude está associada, também, ao aumento da pressão arterial sistêmica.

Acompanhe, abaixo, as implicações para pacientes com problemas cardíacos.

Insuficiência cardíaca: as comorbidades associadas, incluindo hipertensão pulmonar, doença pulmonar obstrutiva crônica, doença renal crônica, isquemia cardíaca, anemia e trombofilia tornam os pacientes com insuficiência cardíaca mais vulneráveis a ambientes com alta altitude.

Doença cardíaca isquêmica: estes pacientes podem enfrentar dificuldades adicionais devido ao aumento do fluxo coronário basal, comprometimento nas propriedades elásticas arteriais associadas à aterosclerose e disfunção microvascular coronária. No entanto, são poucos os dados disponíveis sobre isquemias provocadas pela altitude em pessoas com doença arterial coronariana.

Hipertensão arterial sistêmica: podem ser mais suscetíveis a altas altitudes. Diferentes agentes anti-hipertensivos podem ter efeitos variáveis neste contexto. O uso de betabloqueadores costuma ser eficiente para controlar a pressão arterial, mas pode reduzir a saturação do oxigênio e a tolerância ao exercício.

Arritmias e dispositivos implantados: embora existam poucos testes disponíveis sobre a condição, eles não demonstram aumentos perigosos em altas altitudes.

Hipertensão pulmonar: alguns estudos destacam que a exposição simulada a uma altitude leve não comprometeu a saúde dos pacientes. Contudo, o artigo ressalta que a administração suplementar de oxigênio deve ser considerada para pacientes mais comprometidos pela hipertensão pulmonar.

Acidente vascular cerebral isquêmico: apesar das evidências limitadas, a exposição à alta altitude pode ser perigosa para pacientes que já sofreram acidente vascular cerebral isquêmico.

Acidente vascular cerebral hemorrágico: a elevação da pressão sanguínea arterial em alta altitude aumenta o risco de ruptura de aneurismas cerebrais e más-formações venosas arteriais, além de apresentar risco de hemorragia cerebral relacionada à hipertensão. Entretanto, não há dados sobre a incidência de hemorragia intracraniana em alta altitude.