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05/04/2018
Pesquisadores apontam que ouvir música auxilia tratamento contra hipertensão

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Crédito da imagem: Getty Images

A investigação sugere que os pacientes ouçam música após tomarem a medicação anti-hipertensiva

Realizado por cientistas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Marília, em colaboração com a Faculdade de Juazeiro do Norte, da Faculdade de Medicina do ABC e da Oxford Brookes University, da Inglaterra, o estudo constatou que a música intensifica os efeitos benéficos de anti-hipertensivos.

Os resultados foram publicados na revista Scientific Reports e, de acordo com o coordenador da pesquisa, Dr. Vitor Engrácia Valenti, a música melhorou a frequência cardíaca e os efeitos de anti-hipertensivos no período de até uma hora após o uso da medicação.

Dedicados a estudar os impactos da música sobre o coração em situações de estresse, uma das constatações dos pesquisadores da Unesp de Marília é que principalmente a música clássica tem o potencial de diminuir a frequência cardíaca.

Isso ocorre porque ela ativa o sistema nervoso parassimpático – responsável por estimular ações que permitem ao organismo responder a situações de calma, como desaceleração dos batimentos cardíacos e diminuição da pressão arterial, da adrenalina e do açúcar no sangue – e reduz a atividade do sistema simpático – que, por sua vez, poderia acelerar os batimentos cardíacos.

Conforme Valenti, outros estudos relacionados aos efeitos da musicoterapia sobre a pressão arterial em pacientes hipertensos apontaram impactos positivos significativos, mas ainda não estava claro se a música poderia influenciar o efeito da medicação sobre a variabilidade da frequência cardíaca, pressão arterial sistólica e pressão arterial diastólica.

Por essa razão, o experimento realizado pelos pesquisadores avaliou, durante dois dias aleatórios e com um intervalo de 48 horas, a repercussão do estímulo musical associado à medicação nessas variáveis cardiovasculares em 37 pacientes com pressão arterial controlada, que realizaram tratamento de hipertensão por um período de seis meses a um ano.

No primeiro dia do experimento, após tomarem a medicação de rotina e sem serem previamente avisados, os pacientes ouviram músicas instrumentais com um fone de ouvido durante 60 minutos. No segundo dia de observação, eles passaram pelo mesmo protocolo de pesquisa, mas o fone de ouvido permaneceu desligado.

Os voluntários foram examinados em repouso, em intervalos de 10, 20, 40 e 60 minutos após a medicação. Também foram analisados parâmetros cardiovasculares através do método da variabilidade da frequência cardíaca, que permite detectar com maior precisão e sensibilidade alterações no coração.

A análise dos dados indicou que a frequência cardíaca dos pacientes diminuiu nos 60 minutos após serem medicados e ouvirem música. Já quando tomaram o remédio de rotina e não ouviram música, a frequência cardíaca deles não sofreu alteração tão intensa.

As respostas aos medicamentos também foram mais intensas sobre a pressão arterial dos voluntários quando a música foi utilizada como terapia complementar. O estudo apontou desaceleração dos batimentos cardíacos e diminuição da pressão arterial.

Uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores para justificar os resultados é que, ao ativar o sistema parassimpático, a música causa um aumento na atividade gastrointestinal dos pacientes hipertensos, acelerando a absorção de medicamentos anti-hipertensivos e intensificando os efeitos na frequência cardíaca.

Com informações da Agência Fapesp.