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NOTÍCIAS

20/03/2018
Pesquisadores apontam a existência de cinco tipos de diabetes

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Crédito da imagem: Shutterstock

Conforme cientistas escandinavos, adultos podem apresentar cinco tipos diferentes de diabetes, com perfis fisiológicos e genéticos distintos, em vez de dois, como indica a classificação atual.

A afirmação é resultado da análise de dados de quase 15 mil pessoas da Suécia e da Finlândia, que identificou cinco categorias de pacientes diabéticos, divididas em três formas graves e duas moderadas da doença – uma correspondente ao diabetes tipo 1 e quatro como subtipos do diabetes tipo 2 (veja detalhes no final da matéria).

As categorias incluíram uma de indivíduos com resistência à insulina bastante pronunciada, outra de pessoas jovens com deficiência de insulina e controle metabólico precário, e um grande grupo de pacientes idosos com curso ameno da doenca. O tratamento convencional geralmente não correspondeu ao tipo de diabetes.

O estudo foi realizado por cientistas do Lund University Diabetes Centre, da Suécia, e do Institute for Molecular Medicine Finland, da Finlândia, e foi publicado online no periódico Lancet Diabetes & Endocrinology.

De acordo com Leif Groop, autor principal do estudo, as descobertas podem gerar implicações importantes no diagnóstico, tratamento e futuras orientações terapêuticas acerca do diabetes.

Ele explica que as diretrizes de tratamento atuais são limitadas porque não são capazes de predizer quais pacientes necessitarão de tratamento intensivo. Um diagnóstico mais preciso pode indicar como o diabetes se desenvolverá com o tempo, com a possibilidade de prever e tratar as complicações antes que evoluam.

Os achados da pesquisa, ainda segundo o autor, conduzem a uma forma de diagnóstico mais útil clinicamente e representam um passo importante para a medicina de precisão no diabetes.

Uma ferramenta online está em desenvolvimento para auxiliar os profissionais na inclusão dos pacientes nas categorias específicas – será necessário, porém, que as variáveis solicitadas pelo sistema tenham sido medidas.

Novos estudos deverão considerar o efeito da idade nos resultados, assim como o impacto de outros fatores no diagnóstico e tratamento.

Confira a classificação proposta pelo grupo de pesquisadores:

Grupo 1: pessoas jovens com a doença autoimune, como no diabetes tipo 1. 

Grupo 2 (diabetes com severa deficiência de insulina; SIDD, na sigla em inglês): indivíduos jovens como no tipo 1, sem problemas relacionados ao peso, mas insuficiência de insulina sem origem autoimune. 

Grupo 3 (diabetes com severa resistência à insulina; SIRD, na sigla em inglês): pacientes que apresentam maior resistência à insulina e risco maior de doença renal. 

Grupo 4 (diabetes ligeiramente associada à obesidade; MOD, na sigla em inglês): pessoas com leve diabetes associada à obesidade. 

Grupo 5 (diabetes de meia idade; MARD, na sigla em inglês): indivíduos de meia-idade que desenvolvem os sintomas nessa fase da vida. A doença tende a ser mais amena. 

Classificação tradicional

Atualmente, a doença tem apenas duas classificações: tipo 1 e tipo 2. O primeiro é uma doença autoimune provocada por uma falha no organismo, que produz pouca ou nenhuma insulina. Os sinais surgem entre a infância e a adolescência.

Já o tipo 2 tende a surgir por volta dos 40 anos. É causado principalmente pelo sedentarismo e hábitos alimentares ruins. 90% da população diagnosticada com a doença pertence ao segundo grupo. Um levantamento de 2015 da International Diabetes Federation estima que 14,3 milhões de brasileiros tenham diabetes.