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22/07/2018
Pesquisa questiona os benefícios do suplemento de ômega 3 para o coração

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Crédito da imagem: Divulgação

A revisão de 79 estudos sobre os efeitos da suplementação de ômega 3, que envolveu um total de 112.059 pessoas e foi publicada pelo Instituto Cochrane, descobriu que o suplemento fornece pouco ou nenhum benefício na maioria dos resultados observados.

As pesquisas avaliaram os efeitos do consumo de gordura ômega 3 adicional em comparação com a ingestão usual no desfecho de doenças do coração e circulação. Participaram homens e mulheres saudáveis ou com doenças cardiovasculares da América do Norte, Europa, Austrália e Ásia. Os voluntários foram designados de forma aleatória a aumentar o consumo de ômega 3 ou a manter a ingestão habitual por pelo menos um ano. 

A maioria dos estudos investigou o impacto de suplementar ômega 3 e o comparou a um placebo. Apenas alguns analisaram os efeitos através do consumo de peixes. Vinte e cinco estudos foram avaliados pelo Instituto como altamente confiáveis no desenvolvimento e condução do trabalho.

O ômega 3 é composto por três ácidos graxos diferentes: ácido alfa-linolênico (ALA), ácido eicosapentaenoico (EPA) e o ácido docosa-hexaenoico (DHA). Enquanto o EPA e o DHA são encontrados principalmente nos peixes de água salgada, como o salmão, a sardinha e o arenque, o ALA está presente em sementes e oleaginosas. Consumir alimentos ricos neste tipo de gordura está ligado a uma boa saúde.

No entanto, os pesquisadores encontraram evidências de que as gorduras do ômega 3 suplementadas apresentaram pouco ou nenhum impacto no risco de morte por qualquer causa, que foi de 8,8% em pessoas que aumentaram a ingestão contra 9% entre os indivíduos dos grupos de controle.

Eles também descobriram que tomar ômega 3, principalmente através de suplementos, provavelmente traz pouca ou nenhuma diferença para o risco de eventos cardiovasculares – doença coronariana, acidente vascular cerebral ou irregularidades cardíacas.

Aparentemente, as gorduras ômega 3 reduziram os níveis de triglicerídeos e do colesterol HDL, conhecido como colesterol bom. Embora a redução dos triglicerídeos seja positiva, segundo os autores, a redução do HDL tem o efeito oposto.

A revisão dos estudos também concluiu que ingerir ômega 3 através de alimentos como peixes gordurosos apresenta um pequeno impacto na redução de riscos de alterações cardíacas: de 3,3% para 2,6%. Aumentar o consumo de suplementos de ômega 3 também não mostrou resultados efetivos no controle de peso e de gordura corporal.

De acordo com Lee Hooper, um dos autores da revisão, pode-se confiar nas descobertas desse amplo trabalho de revisão. Segundo ele, os estudos mais confiáveis demonstraram de forma consistente que a suplementação de ômega 3 provocou pouco ou nenhum impacto na saúde cardiovascular e não reduziu o risco de acidente vascular e morte por qualquer causa.