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05/03/2018
Pesquisa coloca a enxaqueca como fator de risco para doenças cardiovasculares

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Crédito da imagem: iStock

Conforme estudo realizado no Aarhus University Hospital, na Dinamarca, e publicado no Britsh Medical Journal, a enxaqueca aumenta o risco de diversas doenças cardiovasculares, especialmente no primeiro ano após ser diagnosticada.

Na pesquisa, a doença foi associada a uma chance oito vezes maior de acidente vascular cerebral e duas vezes maior de infarto, de tromboembolismo venoso (quando coágulos sanguíneos bloqueiam artérias pulmonares) e de fibrilação atrial (frequência cardíaca irregular).

A predisposição a complicações foi mais frequente em mulheres do que em homens e em pessoas que sofriam de enxaqueca com aura – quando as crises são precedidas por sintomas visuais ou sensitivos.

Para Kasper Adelborg, autor principal do trabalho, os resultados devem colocar a enxaqueca entre os fatores de risco para a maioria das doenças cardiovasculares.

Ele explica que, embora o risco absoluto encontrado pela investigação tenha sido baixo em nível individual, pode ser considerado um aspecto importante por se tratar de uma doença comum, que afeta quase 15% da população mundial, o equivalente a um bilhão de pessoas.

A pesquisa utilizou dados do Registro Nacional Dinamarquês, que incluía 51 mil pacientes com diagnóstico primário ou secundário de enxaqueca entre 1995 e 2013. Além deles, estavam disponíveis as informações de saúde de 510 mil dinamarqueses que não sofriam com a doença.

A média de idade dos participantes foi de 35 anos e 71% era do sexo feminino. Os pacientes com enxaqueca foram comparados com uma coorte da população geral correspondente, com controle idêntico de idade e sexo. O acompanhamento foi de 19 anos.

Os pesquisadores também avaliaram a presença de outros fatores para doenças cardiovasculares, como diabetes, obesidade, colesterol, hipertensão, doença cardíaca valvar, doença pulmonar obstrutiva crônica, insuficiência renal, doença hepática, câncer, distúrbios relacionados ao álcool e doenças da tireoide.

Entre as complicações analisadas, não foram observadas associações entre a enxaqueca e a doença arterial periférica e a insuficiência cardíaca.

Os autores afirmam que o risco foi maior durante o primeiro ano após o diagnóstico, com um risco aumentado em oito vezes para AVC isquêmico e hemorrágico e em aproximadamente duas vezes para infarto, tromboembolismo venoso e fibrilação atrial.

No período de um a cinco anos e de mais de cinco a 19 anos, o risco caiu, mas não se igualou ao da população geral. Da mesma forma, foi percebido tanto em pacientes que usavam medicamentos para tratar a enxaqueca como em indivíduos que não tomavam remédios.

Os especialistas consideram o estudo um primeiro passo para o desenvolvimento de estratégias que ajudem a reduzir o risco cardiovascular em pacientes com enxaqueca. No momento, as recomendações disponíveis são o controle dos demais marcadores.