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NOTÍCIAS

06/11/2018
OMS esclarece impactos da poluição sonora na saúde

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Crédito da imagem: Guilherme Santos/Sul21

Em um relatório recente, a Organização Mundial da Saúde alerta que a poluição sonora é um tema que merece atenção por causar estresse e afetar diretamente a qualidade de vida de milhões de pessoas.

Entre as associações estabelecidas pelos autores, o excesso de barulho foi relacionado a doenças metabólicas e cardiovasculares, déficits cognitivos em crianças, zumbidos nos ouvidos, distúrbios do sono, danos ao aparelho auditivo e obesidade.

De acordo com a OMS, isso ocorre porque os ruídos desencadeiam reações de estresse no organismo que levam a diversos danos.

O documento explica que os efeitos fisiológicos do barulho são geralmente induzidos por dois sistemas diferentes: o eixo da medula da glândula suprarrenal e o eixo hipotalâmico-hipofisário-adrenal.

O eixo da medula da glândula suprarrenal é ativado por uma reação em cadeia que leva à excreção de adrenalina e noradrenalina. O processo mobiliza a energia nos músculos, coração e cérebro e reduz o fluxo de sangue nos órgãos internos, o que deixa o corpo humano em estado de alerta.

A hiperatividade do eixo hipotalâmico-hipofisário-adrenal, por sua vez, está associada a situações de estresse crônico, quando o corpo secreta o hormônio cortisol. Aflição, ansiedade e depressão estão ligadas a esse quadro. A exposição recorrente a muito barulho, portanto, causa a liberação desregulada de hormônios, o que afeta negativamente o organismo.

Entre as recomendações, a OMS orienta que uma pessoa não esteja exposta a mais de 30 decibéis no quarto de dormir. É indicado, ainda, que escolas restrinjam o barulho em sala de aula a menos de 35 dB para garantir condições de ensino ideais. A exposição a sons que ultrapassem 120 dB, sem o uso de proteção, pode causar dor física.

Conforme o relatório, alguns grupos são mais vulneráveis a esse tipo de problema, como crianças, doentes crônicos, idosos e trabalhadores noturnos, já que ficam mais expostos a ruídos durante a noite.

Populações mais pobres, que não contam com isolamento adequado em suas casas ou não vivem em regiões silenciosas, também sofrem mais.

Como exemplo, o documento cita ainda a exposição contínua de crianças a ruídos altos como o de aeronaves, que prejudica o desempenho cognitivo, afeta o bem-estar e atua sobre a pressão sanguínea e secreção de hormônios.