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NOTÍCIAS

12/03/2018
Estudo investiga parada cardíaca súbita em jovens

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Crédito da imagem: O Globo/Arquivo

De acordo com um novo estudo publicado no periódico Circulation, a parada cardíaca em pacientes jovens pode estar mais relacionada à obesidade do que ao esforço durante a prática desportiva.

O levantamento realizado pelos pesquisadores demonstra que 39% das pessoas que tiveram parada cardíaca súbita fora do hospital em Portland, nos Estados Unidos, com idades entre cinco e 34 anos, eram obesos, enquanto apenas 14% praticavam atividades físicas no momento da parada cardíaca.

Conforme Reshmy Jayaraman, do Cedars-Sinai Medical Center, de Los Angeles, um dos autores do trabalho, trata-se do primeiro estudo destinado a avaliar a associação de fatores de risco cardiovascular tradicionais aos casos de parada cardíaca súbita entre jovens de uma única grande comunidade norte-americana.

Para investigar as relações, os pesquisadores identificaram todos os casos de parada cardíaca súbita incluídos no Oregon Sudden Unexpected Death Study, entre 2002 e 2015, na região metropolitana de Portland, que abrange uma área com cerca de um milhão de habitantes. Foram excluídos os eventos por causas não cardíacas, como overdose de drogas, por exemplo.

Das 3.775 paradas cardíacas, 186 (5%) ocorreram em pessoas com idades entre cinco e 34 anos. Destas, 26 (14%) foram associadas ao esporte como gatilho – quando a parada cardíaca súbita ocorreu durante o exercício ou até uma hora depois da prática.

Os esportes variaram de ginástica, corrida, ciclismo, basquete e esqui (duas a quatro paradas cardíacas súbitas cada) a baseball, futebol, caminhada, cavalgada, escalada e natação (uma parada cardíaca cada).

A reanimação cardiorrespiratória foi realizada por leigos em 42% dos casos relacionados com o esporte e em 32% dos demais casos. As pessoas que tiveram uma parada cardíaca súbita em um ambiente desportivo tiveram maior probabilidade de ser reanimadas e de sobreviver até a alta hospitalar.

Entre os jovens que sofreram parada cardíaca, 40% eram obesos, 22% tinham sobrepeso, 25% tinham histórico de tabagismo, 15% de hipertensão e 9% de diabetes. Em geral, a causa mais comum presumida foi morte por arritmia cardíaca súbita (31%), doença coronariana (22%) e miocardiopatia hipertrófica (14%).

Apenas 29% dos indivíduos haviam apresentado sintomas anteriores, como angina, palpitação e vertigem. A proporção relativamente baixa de pessoas com sinais de alerta é, para os especialistas, uma descoberta desconcertante.

Os autores acreditam que, além de trabalhar para diminuir a obesidade em todas as idades, são necessários esforços para a triagem de pessoas aptas a realizar determinadas atividades físicas, assim como consultas e exames de rotina para identificar a presença de fatores de risco. Da mesma forma, eles destacam a importância de preparar pessoas leigas para oferecer reanimação cardiorrespiratória em casos de emergência.