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NOTÍCIAS

11/12/2017
Estudo analisa impactos do uso de adoçantes artificiais no peso e no risco cardiometabólico

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Crédito da imagem: Shutterstock

Encontrados em uma ampla variedade de produtos, adoçantes artificiais são compostos que não apresentam valor nutricional e conferem a alimentos o sabor doce do açúcar sem acrescentar tantas calorias – podem, inclusive, ser de 30 a 8000 vezes mais doces que o açúcar.

Estudos anteriores sugerem que, embora sejam utilizados como uma alternativa mais saudável, os adoçantes podem estar relacionados a ganho de peso e ao aumento no risco de diabetes por interferirem na metabolização do açúcar.

Um grupo de pesquisadores da University of Manitoba buscou entender os impactos do uso de adoçantes artificiais através da análise de sete ensaios clínicos randomizados com 1.003 participantes e cerca de seis meses de acompanhamento, e de 30 estudos de coorte com 405.907 pessoas acompanhadas por, em média, 10 anos.

Entre os participantes obesos ou com sobrepeso, dois ensaios de seguimento mais longo revelaram emagrecimento significativo com o uso de adoçantes não nutritivos ao longo de 16 a 24 meses, e três ensaios mais curtos não observaram nenhum efeito com o uso de adoçantes artificiais durante seis meses. Conforme os autores, tratam-se pesquisas patrocinadas pela indústria.

Estudos que analisavam pacientes com hipertensão leve e que usavam medicamentos, e outro que envolvia pessoas com sobrepeso, não relataram efeitos significativos no índice de massa corporal.

Grandes estudos de coorte com acompanhamento mais prolongado, no entanto, mostraram que o alto consumo de adoçantes não nutritivos foi significativamente associado a discreto ganho de peso corporal e a um discreto aumento do índice de massa corporal e da circunferência abdominal em longo prazo.

Além disso, a alta ingestão destes compostos esteve associada a maior risco de hipertensão, acidente vascular cerebral, eventos cardiovasculares e incidência de diabetes tipo 2. Os dados fornecidos pelos ensaios não são suficientes para confirmar as associações.

Conforme Meghan Azad, da University of Manitoba, os resultados deixam clara a necessidade de novos estudos para compreender as repercussões em longo prazo do uso de adoçantes artificiais.

Ela ressalta que análises de sangue e urina revelam que muitas pessoas que dizem não usar edulcorantes consomem estas substâncias nos alimentos sem saber disso.

A autora acrescenta que algumas evidências indicam que o consumo de rotina poderia confundir e reprogramar o metabolismo de forma a favorecer o ganho de peso, a resistência à insulina e a intolerância à glicose.

Ainda de acordo com Meghan Azad, o consumo de adoçantes não nutritivos pode incentivar a preferência por doces ou dar aos consumidores a permissão para comer alimentos de maior teor calórico pela falsa sensação de terem economizado calorias com bebidas diet, por exemplo, o que geraria consequências à saúde.