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NOTÍCIAS

21/02/2018
Artigo estabelece relações entre doenças cardiovasculares e câncer de mama

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Crédito da imagem: Thinkstockphotos

Pela primeira vez, a relação entre doença cardiovascular e câncer de mama foi o foco de uma declaração científica da American Heart Association, publicada na revista Circulation.

Conforme explica a Dra. Laxmi Mehta, uma das autoras do texto e membro da Ohio State University, nos Estados Unidos, a doença cardíaca é a principal causa de morte entre as mulheres, enquanto o câncer de mama é a preocupação número um para a maioria delas.

Entretanto, as duas doenças compartilham muitos fatores de risco – idade avançada, dieta ruim, histórico familiar, inatividade física e tabagismo –, o que sugere que as escolhas de estilo de vida poderiam ajudar a diminuir os riscos para ambas.

De acordo com a publicação, o fato de que os tratamentos contra o câncer podem afetar o coração é pouco conhecido entre as pacientes. Além disso, em mulheres com mais idade, as doenças cardiovasculares representam um risco de morte maior do que o câncer.

Os resultados ideais do câncer de mama dependem também da saúde cardiovascular ao longo de todo o tratamento da doença. Os fatores de risco cardíaco e eventos prévios podem, inclusive, influenciar as opções terapêuticas escolhidas. 

Sobre a cardiotoxicidade, os especialistas explicam que ela pode ser precoce ou tardia. Entre os desfechos, a disfunção do ventrículo esquerdo é o mais comum. Insuficiência cardíaca, hipertensão, arritmias, isquemia miocárdica, doença valvar, doença tromboembólica, hipertensão pulmonar e pericardite também podem ocorrer.

Os pesquisadores esclarecem que o conhecimento dessas relações não deve dissuadir ou assustar as pacientes quanto a se submeter ao tratamento do câncer de mama, mas dá a elas informação para decidir com seu médico o melhor caminho a seguir e enfatiza a importância de análises focadas nas duas áreas.

O artigo pontua que alguns estudos demonstraram que administrar agentes quimioterápicos comuns de novas maneiras pode reduzir os riscos de doenças cardíacas. Da mesma forma, acrescentar medicamentos cardioprotetores pode levar a reduções significativas no desfecho combinado de diminuição da fração de ejeção do ventrículo esquerdo ou desenvolvimento de insuficiência cardíaca.  

Pesquisas mostram, ainda, que aderir a comportamentos saudáveis para o coração está associado a uma menor incidência de câncer de mama e um risco significativamente menor de doença cardiovascular.

O documento cita a adoção do programa Life's Simple 7, da AHA, que inclui metas como ser fisicamente ativo; alcançar e manter um peso corporal adequados; ter uma dieta saudável; evitar o tabaco; e manter níveis normais de pressão arterial, colesterol e glicemia.

Por fim, o material ressalta as lacunas de informação sobre o tema que podem ser esclarecidas em pesquisas futuras, além de sugerir prioridades para melhorar os resultados, tais como melhora do rastreio e da avaliação de fatores de risco em pacientes oncológicos, melhor compreensão dos efeitos adversos da quimioterapia e da radioterapia nas doenças cardiovasculares e diretrizes formais para prevenção primária e secundária da cardiotoxicidade.

O campo da cardio-oncologia surgiu para abordar a necessidade de oferecer o melhor tratamento ao câncer sem comprometer a saúde cardiovascular. Várias organizações, incluindo o American College of Cardiology, Canadian Cardiac Oncology NetworkEuropean Society of CardiologyEuropean Society for Medical Oncology e International Cardi-Oncology Society, já trabalham em iniciativas para que oncologistas e cardiologistas atuem juntos n o atendimento de pacientes com câncer tratados com terapias potencialmente cardiotóxicas.