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NOTÍCIAS

10/04/2018
Amamentar tem efeito cardioprotetor para as mulheres

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Crédito da imagem: FamVeld/Getty Images

Os benefícios da amamentação vão além da saúde do bebê. Um estudo recente, presente no 67ª Congresso do American College of Cardiology, demonstra que mulheres com pressão arterial normal durante a gravidez e que amamentaram seus bebês, apresentaram melhores marcadores de saúde cardiovascular do que aquelas que nunca amamentaram.

Muitos estudos já destacaram os benefícios imediatos da amamentação na saúde da mulher, no entanto, os efeitos em longo prazo, objetivo deste trabalho, foram pouco explorados.

A análise integra dados do POUCH e POUCHmoms Study, que evidenciam a saúde da mulher durante e após a gestação. Foram incluídas 678 mulheres que completaram suas avaliações de saúde em mais de 52 clínicas de Michigan, nos Estados Unidos, entre 1998 e 2004.

As participantes estavam grávidas no início da observação, quando foram coletadas as primeiras informações, e repetiram as avaliações cerca de 11 anos depois. Elas forneceram dados sobre a duração do período de amamentação e a equipe mediu os principais indicadores de saúde, como pressão arterial e colesterol.

No geral, os pesquisadores descobriram que as mulheres que amamentaram por mais tempo tinham mais idade, eram menos propensas a ter excesso de peso e tinham níveis mais altos de renda e educação.

Após o ajuste para esses fatores, eles perceberam que as mulheres com pressão arterial normal durante a gravidez e que amamentaram por seis meses ou mais apresentaram níveis significativamente mais elevados de HDL – o chamado colesterol bom – e triglicerídeos mais baixos do que aquelas que nunca amamentaram.

Exames de imagem demonstraram, ainda, que as mulheres que amamentaram por pelo menos seis meses possuiam artérias mais saudáveis.

Já entre o grupo de mulheres com pressão alta durante a gestação não foi possível estabelecer uma associação sobre os efeitos da lactação. Segundo Malamo Countouris, professor da Universidade de Pittsburgh e principal autor do estudo, uma das razões pode ser o baixo número de mulheres com pressão elevada incluído na análise.

O grupo incentiva a realização de novas pesquisas sobre o assunto, especialmente relacionadas aos efeitos em longo prazo da gravidez e da amamentação. Countouris acredita que análises mais profundas podem contribuir para a compreensão do desenvolvimento de diversos riscos cardiovasculares em mulheres.