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CRÔNICAS MÉDICAS

Viver muito e ser feliz: uma opção pessoal
Dr. Fernando Lucchese

 

Os jovens que me perdoem, mas dedico-lhes uma justa e carinhosa inveja. Eles são privilegiados: têm à disposição todos os meios para viver 100 anos. A maior parte das informações que levam à longevidade surgiu há poucos anos, e minha geração não conseguiu incorporá-las aos seus hábitos. Ademais, somente agora a prevenção passa a ser um “bom negócio”, porque já temos dados suficientes para isso.


É fácil perceber a importância da saúde para o ser humano do novo século. Pelo menos um terço das matérias de capa de nossas revistas semanais é dedicado à saúde. Surpreendentemente, a doença perdeu seu marketing e cada vez mais impera o desejo de evitá-la. Doença, hoje, não está com nada. Saúde, malhação, dieta e alimentação saudável são os temas do momento. Além disso, beleza e bem-estar acompanham a busca da saúde. Cirurgia plástica está em alta. Ponte de safena está em baixa. Suplementos vitamínicos e minerais, em alta. Remédios, em baixa. O sonho de consumo de todos é uma semana em um SPA de qualidade. Nossos parques nunca viram tantos corredores e caminhadores.


Sinal dos tempos? Pode ser, mas não sem alguma surpresa. Ninguém suspeitava, por exemplo, que as atribulações do século XX nos conduziriam a uma busca mais intensa do prazer e da felicidade. Ninguém imaginava há 25 anos que saúde e estilo de vida saudável seriam o grande negócio do início do século XXI.


Acho que sei definir a razão de toda esta transformação. Mais do que nunca, mulheres e homens buscam o prazer e a felicidade, porque compreendem a redefinição do que é saúde. Hoje, devemos considerar saudável um indivíduo que vive em estabilidade física, mental e espiritual, ou cujos territórios familiar, profissional ou financeiro lhe dêem prazer e não lhe causem atribulações.


Portanto, sob este foco, saúde e felicidade são as mesmas coisas. Quem não é saudável não pode ser feliz. Inacreditavelmente, ao associarmos saúde com felicidade, estamos gerando uma equação cuja resultante é a longevidade. Portanto, viver muito é uma opção pessoal, basta procurar ser saudável e feliz.


Os jovens que me perdoem, mas, se eu soubesse disto aos 20 anos, teria assumido, comigo mesmo, o compromisso de viver 100 anos.

 

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