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CRÔNICAS MÉDICAS

Saúde também faz bem aos negócios
Dr. Fernando Lucchese

 

A saúde envolve e gera conseqüências a todos os territórios da vida do indivíduo, inclusive o profissional. Mas quantas empresas incluem, nos critérios de avaliação de desempenho, indicadores de saúde dos seus líderes executivos? Para quem considera tal inclusão desnecessária, relato o caso de João. Embora pura obra de ficção, sua história é extremamente real e possível.

Dono de uma empresa, ele parecia um sujeito triste, às vezes, e alegre, em outras. Mas o que ninguém percebia é que, ao oscilar, ia de um extremo ao outro. Quando muito alegre, comprava, planejava, construía. Quando muito triste, fazia o inverso. Até seus colaboradores já haviam se adaptado à situação e esperavam a fase oportuna para trazerem problemas ou planos.

Em meio a uma crise eufórica (que nós, médicos, chamamos de mania), João comprou um concorrente falido, num ato considerado absolutamente inadequado e desnecessário sob todos os pontos de vista. A compra errada, no momento errado, deu início a problemas de caixa. Mas João estava eufórico. Ali, manifestava-se, pela primeira vez, o diagnóstico de bipolaridade: João era um bipolar, um maníaco-depressivo, que oscilava entre estar muito triste e muito alegre, entre construir na mania e destruir na depressão.

Será que isso é possível? Esse tipo de interferência nos negócios realmente existe? Certamente, em ambientes de decisões centralizadas, os danos causados por alterações de saúde dos líderes são mais evidentes, mas, em todos os níveis da empresa, todos os dias são tomadas decisões. Os indivíduos saudáveis fazem isso de forma mais correta, enquanto os considerados doentes costumam cair em escolhas desacertadas com mais freqüência, independentemente da área de atuação. Por isso, as empresas devem, sim, incluir indicadores de saúde de seus executivos, nos critérios de avaliação de seu desempenho.

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